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Rejeição: quando ela acontece antes mesmo de existir

  • Foto do escritor: ccdaniel3
    ccdaniel3
  • há 6 dias
  • 2 min de leitura

Há pessoas que evitam se expor. Pensam antes de falar, revisam o que vão dizer e calculam possíveis reações. À primeira vista, isso pode parecer apenas timidez, insegurança ou falta de confiança.


Mas, em alguns casos, existe algo mais em jogo.


Não se trata apenas do medo de ser rejeitado. Trata-se da sensação de que a rejeição já está colocada antes mesmo que qualquer encontro aconteça, como se o olhar do outro já estivesse decidido e o resultado já fosse conhecido.


Essa experiência pode aparecer de diferentes formas. No trabalho, quando alguém deixa de apresentar uma ideia ou evita participar de uma discussão por antecipar uma crítica. Nas relações afetivas, quando a pessoa se afasta antes mesmo de se aproximar. Ou ainda nas amizades, quando um silêncio é rapidamente interpretado como desinteresse ou rejeição.


Nessas situações, o sofrimento não está necessariamente relacionado ao que está acontecendo no presente. Muitas vezes, ele está ligado a uma expectativa que se impõe antes dos fatos.


A pergunta que se coloca é outra: de onde vem essa expectativa de rejeição? Quando ela se constituiu? Por que continua operando mesmo em situações nas quais não há sinais concretos de recusa?


Na psicanálise, a forma como cada sujeito se relaciona com o olhar e com o desejo do outro não surge por acaso. Ela é construída ao longo da história, a partir de experiências, marcas e modos de relação que nem sempre puderam ser plenamente elaborados.


Aquilo que não encontra lugar na palavra pode continuar produzindo efeitos. Não como uma lembrança consciente, mas como uma forma de se posicionar diante do mundo.


Por isso, o trabalho analítico não consiste em ensinar alguém a se expor mais ou a controlar melhor suas emoções. Trata-se de escutar aquilo que se repete: o que se antecipa, o que se evita e aquilo que parece já estar decidido antes mesmo de acontecer.


Ao longo desse percurso, pode surgir a possibilidade de construir uma relação diferente com o outro e consigo mesmo. Não porque a rejeição deixe de existir, mas porque ela deixa de ocupar antecipadamente o lugar de destino inevitável.


Claudia Cecilia Daniel

Psicóloga e Psicanalista

CRP 06/4388-4


Atendimento presencial em São José dos Campos – SP

Atendimento online

Claudia Cecilia Daniel
Psicóloga | Psicanalista

CRP 06/43488-4

Atendimento presencial em São José dos Campos e online

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Este site tem caráter informativo e não substitui o atendimento psicológico individualizado.

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